Funchal, Madeira, Portugal

“A Especialização é para os Insectos”

Lazarus Long, personagem criada por Robert A. Heinlein, dizia: “Um ser humano deve ser capaz de trocar uma fralda, planear uma invasão, matar um porco, comandar um navio, projetar um edifício, escrever um soneto, fazer a contabilidade, construir uma parede, cuidar de uma ferida, consolar os moribundos, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, adubar a terra, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar eficientemente, morrer galantemente. A especialização é para os insectos”.
Vitruvian Man Illustration

A especialização é para os insectos”

Lazarus Long, personagem criada por Robert A. Heinlein, dizia: “Um ser humano deve ser capaz de trocar uma fralda, planear uma invasão, matar um porco, comandar um navio, projetar um edifício, escrever um soneto, fazer a contabilidade, construir uma parede, cuidar de uma ferida, consolar os moribundos, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, adubar a terra, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar eficientemente, morrer galantemente. A especialização é para os insectos”.

É uma ideia forte, mas relevante: por que limitar-se a uma única área quando podemos alargar os nossos horizontes mentais a outras áreas? Não ganhamos com isso?

Naturalmente, o nosso mundo precisa de especialistas. Infelizmente, muitos dos especialistas possuem horizontes estreitos e “fecham-se” na sua área. Se o corpo permanece parado muito tempo e a mente é forçada a fazer tarefas repetitivas, a nossa alma revolta-se.

Leonardo Da Vinci era um artista notável, mas também concebia máquinas, dissecava cadáveres e orgulhava-se de ser capaz de dobrar barras de ferro com as suas próprias mãos.

Até Adam Smith, o responsável pela ideia da divisão do trabalho em várias tarefas repetitivas, escreveu sobre economia, política, filosofia, astronomia, literatura e direito.

Os especialistas são essenciais mas é na polinização de áreas diferentes que surge o verdadeiro progresso. Estamos a precisar mais do que nunca de pessoas com visão ampla!

Roberto Macedo Alves

(Publicado originalmente no Diário de Notícias da Madeira, a 21/jan/2014)