[Opinião]: Diário de Notícias da Madeira

PT Publicado originalmente no Diário de Notícias de 16 de Novembro de 2010

DN-16-Novembro

Uma Cultura de Criatividade

Em 1922, W.H.R. Rivers, no livro “Essays on the Depopulation of Melanésia”, descreveu como desapareceram os aborígenes dessa região da Oceânia quando sofreram a imposição de novas normas culturais que substituíram os seus antigos princípios, o seu “ethos” e acabaram por morrer de tédio e futilidade. Literalmente. Perderam a sua razão de viver.

Teremos nós medo do tédio? Afinal, temos milhões de diversões que permitem fugir dele. Mas até que ponto este divertimento será fútil? Estaremos a perder tempo com coisas que nos empobrecem a alma em vez de libertar o nosso espírito criativo?

Passamos os dias a trabalhar, a pensar nas contas e reclamar sobre a crise sem arranjar nunca tempo para criar. William Blake dizia que isto era um pecado mortal contra nós mesmos.

Brenda Ueland, no seu livro “If you want to Write” diz que todos os cavalheiros no Renascimento escreviam sonetos – não para publicação, mas pela recompensa intrínseca do acto criativo, que enriquecia as suas almas.

É por isso que estimo e tento encorajar actividades criativas como o 24 HOUR COMICS DAY ou eventos de Cosplay com o meu grupo local de aspirantes a criadores de Banda Desenhada.

Com tanta tecnologia à nossa volta, esquecemo-nos do poder libertador que tem uma folha em branco.

Da próxima vez que nos sentirmos entediados, devíamos agarrar uma folha vazia e desenhar algo que gostamos (ou escrever sobre isso). Mesmo que ninguém mais chegue a vê-lo, sairemos enriquecidos desta experiência.